Laganja Estranja: a drag queen dançarina que “detesta” maquiagem

Aprender a se maquiar é um processo que requer muita paciência, prática e motivação. No começo, pode haver até uma certa frustração quando a coisa não sai bem como a gente queria – ou então você vai ver uma foto anos depois e percebe a meleca que ficou. Bem, se você já quis desistir de maquiagem, saiba que não é a única.

Um dia desses estava assistindo um tutorial no canal da marca americana Sugarpill e uma das minhas drag queens favoritas estava falando sobre como foi esse processo de aprender a se maquiar. Na hora quis conversar com ela sobre isso, afinal maquiagem faz parte do trabalho dela, e imagino que haja frustração de vez em quando. Todos os astros e estrelas se alinharam e, feliz da vida, consegui o contato dela e ela super topou conversar comigo.

Quem acompanha RuPaul’s Drag Race com certeza já ouviu falar dela. Mesmo nas temporadas mais recentes, as falas e bordões dela se infiltraram nos episódios – ícone faz assim -, então mesmo sem ter assistido a 6ª temporada (corre e assiste agora mesmo!), o nome Laganja Estranja não deve soar estranho pra você. Ela teve a entrada mais incrível do programa e seu jeito afetado conquistou a comunidade LGBTQ+ e até mesmo pessoas que nunca assistiram a série.

Além de seus bordões e personalidade contagiante, Laganja é conhecida por dançar muito bem, com direito a muitos espacates e coreografias incríveis, de deixar qualquer um de queixo caído. Foi um prazer conversar com ela e entender o tipo de maquiagem que ela gosta, como ela começou e – mais importante – quais são os segredos para que o look não escorra durante uma rotina de dança completa.

Bem, para minha surpresa, ela foi bastante direta: maquiagem não é forte dela e a relação entre as duas é complicada. Vocês vão ver nas fotos dela que os looks que ela faz são super completos e, honestamente, melhor que o de muita gente. Ela começou a fazer maquiagem há seis anos, então já teve bastante prática, mas foi um processo lento, frustrante e que causou muita ansiedade. “Meu sonho é ter um maquiador que possa me acompanhar e fazer arte no meu rosto enquanto eu me preocupo apenas com minha dança”, ela riu.

Mesmo com dificuldade, Laganja admitiu que ama maquiagem. “Minha visão estética é uma maquiagem muito feminina, o mais próximo possível do que uma mulher usaria. Mas eu gosto de agradar as pessoas, e sei que elas criam muita expectativa, então fico nessa linha entre ser feminina e ser bem drag, com muito brilho e strass. Mas amo essa transformação, acho que pra quem não é muito ligado no mundo drag deve ser fascinante ver a mudança”.

Nesse quesito, ela contou que uma grande inspiração é a drag brasileira Pabllo Vittar. Para Laganja, Pabllo foge dessa ideia de uma drag montada demais, sem lantejoulas, vestidão ou muito brilho. “Ela se veste de maneira mais esportiva, mais como uma mulher, e a música é sua arte em primeiro lugar, ser drag vem em segundo. Para mim, eu quero que minha dança esteja em primeiro plano”, contou.

No entanto, não há como negar que é preciso ter muita habilidade para fazer com que a maquiagem fique intacta depois de uma rotina de dança completa, sob luzes fortes, em lugares fechados e pequenos, com roupas apertadas e movimentos muito rápidos. Fiquei curiosa para saber todas as dicas e os truques, então anotem aí porque são ótimas sugestões.

“Eu uso uma base com cobertura muito alta da Dermablend; passo no rosto inteiro mesmo, até nos olhos. Depois vou usando o spray fixador de maquiagem da Melanie Mills chamado Gleam entre todas as camadas. Então ao terminar a base, aplico spray, termino os olhos, aplico spray, termino contorno, aplico spray; uso o spray umas três ou quatro vezes durante todo o processo.

Também busco usar produtos que contêm muito, muito pigmento, e que são resistentes à água, como é o caso das paletas do Jeffree Star. Recentemente filmei um vídeo nadando com tubarões e eu estava maquiada e é possível ver o pigmento das sombras dele debaixo d’água.”

Laganja já teve experiências muito positivas com maquiadores profissionais em photoshoots e para filmagem de curtas e está aberta a explorar criativamente maquiagem enquanto arte. “Eu nunca pensaria em pintar metade do meu rosto de preto com detalhes dourados como no vídeo do cover de No Tears Left To Cry, mas eu amei o resultado. Meu sonho é participar de sessões de fotos editorais de moda”.

Além de todos esses planos e sonhos, Laganja também quer vir nos visitar no Brasil novamente! A ideia é voltar após o lançamento do seu CD. “Faz muitos anos que fui ao Brasil. Na época eu estava passando pela minha fase mais feminina e fui muito bem recebida por vocês”. E queremos vê-la aqui novamente! Quem sabe a próxima entrevista não é um vídeo de nós duas nos maquiando, hein?!

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